Este site possui conteúdo parcial do projeto de conclusão de curso de Adriana Vacanti Mattos, formada em Desenho Industrial com habilitação em Programação Visual pela Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade Mackenzie, 1996. Orientado pelo professor Auresnede Pires Stephan. A HISTÓRIA Um estudo apostilado sobre a embalagem desenvolvido pelas professoras da Universidade Mackenzie, Denise Dantas e Teresa Rubio (1995) afirma que o fator fundamental para o desenvolvimento do campo de embalagens foi o crescimento das cidades no séc. XIX, devido à migração da população dos centros rurais para os centros urbanos. Inicialmente, sua grande importância era a função protetora, pois os produtos deveriam ser cuidadosamente transportados para que chegassem ao seu destino em plenas condições de consumo. Com o crescimento das zonas urbanas, a distância entre consumidor e produtor aumentaram e houve a necessidade de aperfeiçoamento das técnicas de embalagem por parte da indústria de alimentos. A preocupação com a estética cresceu no início de 1850, com o desenvolvimento das técnicas industrializadas de impressão, o que possibilitou o realce de determinadas imagens e a utilização de rótulos coloridos, inicialmente em bebidas alcoólicas, tabaco, molhos, medicamentos e produtos de higiene. Foram seis os períodos de evolução da embalagem segundo Robert Opie: De 1880 a 1899 - influência do estilo Vitoriano De 1900 a 1919 - influência do estilo Art Nouveau De 1920 a 1939 - influência do estilo Art Deco De 1940 a 1959 - revolução do sistema Self Service De 1960 a 1979 - Technical Inspiration - utilização da tecnologia no design De 1980 a 1989 - Design Trends - o design assumindo um papel fundamental no projeto de novas embalagens. (Opie apud Denise D. e Teresa R., 1994, pg.4) Atualmente a embalagem possui papel importante no comércio de produtos das mais variadas necessidades e com a concorrência gerada pelo crescimento industrial, o retorno na fabricação do melhor, é certo. mailto:adriana@usway.com.brmailto:adriana@usway.com.br ------------ A COR "Os muitos aspectos psicológicos a respeito das cores parecem ser mais emocional e pessoal do que científico, e determinar concordâncias nas reações às cores, às vezes é difícil. Entretanto, muitas pessoas concordam que algumas combinações implicam em sensações de calor ou frio, e outras conotam prazer ou dor." (Stockton, 1984, pg. 7) Phillippe Devismes, autor de Packaging - Como Desenvolvê-lo (s/d), afirma que as cores fazem sonhar e exercem sobre os indivíduos sensações íntimas que, no domínio do inconsciente, se tornam simbólicas. Elas evocam igualmente paladar, aroma, peso, volume e a temperatura, já que a visão das cores não se limita ao simples sentido da vista, transmitindo-se aos outros sentidos. Assim, o rosa parece açucarado; o verde, salgado e amargo; o amarelo, picante e ácido. Seria impróprio apresentar azeitonas num recipiente cor-de-rosa. O roxo, geralmente atribuído a produtos com alfazema, revela um aroma perfumado, enquanto o alaranjado evoca um cheiro apimentado e o verde exala o aroma das especiarias. Quanto ao volume, podemos dizer que um produto compacto e sólido pode ser traduzido por cores escuras, enquanto que um conteúdo líquido pode apresentar-se com tonalidades verdes e azuladas. O branco e o amarelo são tidos como cores mais leves: embalagens pintadas de preto ou roxo escuro parecerão mais pesadas do que aquelas pintadas de amarelo. Seguindo essa linha, as embalagens de cor clara, parecerão mais importantes do que as de cor escura. A temperatura das cores é avaliada por uma curva denominada "curva da temperatura das cores" e expressa-se em graus Kelvin. Dessa forma, as cores situadas em 1/3 do espectro dos vermelhos exercem uma sensação de calor, e aquelas situadas em 1/3 do espectro dos azuis emanam uma sensação de frio. Tanto na área de packaging como na de publicidade, as cores podem ser classificadas tomando como base seu significado psicológico, da seguinte forma: Vermelho: utilizado em artigo que indicam energia, vigor, fontes de calor, artigos técnicos e esportivos; também é utilizado para chamar atenção, como em liquidações. Verde: é usado principalmente em produtos que desejam transmitir uma sensação de frescor, como frutas e verduras. Rosa: mais usados em alimentos doces, que também são vermelho-alaranjados, vinhos e licores, bem como cosméticos. Azul: muito usado para artigos de limpeza e medicamentos; indicam frios, laticínios, leite in natura e em pó. No açúcar e na farinha normalmente se combina o azul e o branco. Amarelo e laranja: para refrigerantes. Marrom: para café, chocolates . Combinações pouco eficazes são as cores azul e preto, que dão uma sensação de tristeza e preocupação; marrom e violeta que entristecem; amarelo e violeta que levam a uma atitude passiva. Percebemos um produto de consumo através da cor, da posição na qual nos foi mostrado, principalmente se for diferente de tantos outros. Percebemos um produto se estivermos predispostos ou necessitados. Percebemos, portanto, se tivermos condições para perceber, se estiver dentro do nosso limiar de percepção. Um estudo de mercado, citado no livro de Christiane Gade - Psicologia do consumidor (1980), que procurava saber como as donas-de-casa percebiam a cor da embalagem de sabão em pó, obteve os seguintes resultados: Para três grupos de donas-de-casa foi distribuído o mesmo sabão em pó, variando apenas na embalagem, que para um grupo era azul, para outro era amarela, e para o terceiro era azul com pintas amarelas. Como resultado, o grupo que usou o sabão da caixa amarela o considerou forte demais; o grupo da caixa azul alegava que não limpava bem; finalmente, o grupo da caixa azul com pintas amarelas achou o produto ótimo, lavando a roupa de forma satisfatória. A EVOLUÇÃO Thomas Hine em The Total Package (1995), afirma que seja certamente correto dizer que apenas um pouco mais do que um século atrás havia embalagem, mas não design de embalagem. As embalagens protegiam bem e faziam seus produtos seguros e em alguns casos até ajudavam a vender. O papel antes do final do século, era basicamente um artigo de luxo, feito um a um, manualmente. A primeira máquina de fazer papel foi inventada na França, em 1798, e deu início à uma reação em cadeia em matéria de inovação, culminando com a primeira máquina de fazer papel em rolos patenteada na Inglaterra, em 1807. Seguindo a primeira operação de rolos de papel na América, em Delaware, uma década depois os Estados Unidos começaram a dominar o mercado. A razão foi a substituição dos trapos, que eram escassos no Novo Mundo, por aqueles feitos de polpa de palha e madeira, o que a América do Norte tinha em abundância. Por volta de 1830, os EUA se tornaram o maior produtor e consumidor de papel do mundo. Este mesmo período trouxe a primeira máquina de fazer papel cartão na Inglaterra e o primeiro cartão feito de palha, nos EUA. Também em 1798, na Alemanha, a litografia foi inventada, tornando possível designs multicoloridos à baixos custos. Juntas, a máquina de fazer papel e a litografia difundida incentivaram a disseminação da imagem numa escala que o mundo jamais havia visto. Isso fez parte da transformação social que, no final do século XIX, habilitou até a classe trabalhadora a levar uma vida de excessos. Em 1834 havia 700 litógrafos em Londres com o mercado só seu - os EUA inteiros, não conseguiram atingir essa meta antes de 50 anos. Não era necessário ser rico para ter rostos bonitos, vistas pastorais, grandes momentos da História, a Bíblia ou a clássica mitologia impressos nas paredes das salas por aí afora. E as mesmas cenas apareciam nos lugares menos esperados como caixas de fósforos e depois nas latas e posters nas despensas. É surpreendente que enquanto muitos rótulos impressos antes consistiam inteiramente na escrita e algumas vezes na marca, a imagem da embalagem e a impressão colorida desenvolveram-se lado a lado. Assim como o cinema e a televisão, a embalagem também acompanhou a significativa fase do preto e branco. Mas, enquanto até o final do século todos os outros impressos permaneciam com a escrita preta no branco, os industriais perceberam rapidamente o impacto emocional de acrescentar ao menos uma cor aos simbólicos elementos das embalagens. Por volta de 1870, muitas das embalagens boas eram as de luxo, utilizadas ainda com a intenção de presentear. Em 1879 o processo de off-set foi introduzido como resultado do desejo de imprimir diretamente na folha de Flandres das latas de biscoitos. A embalagem também incentivou o desenvolvimento de alguns tipos de papel como a folha de alumínio, primeiramente utilizada na França por volta de 1840 para embalar individualmente certos tipos de balas. O material era superior ao papel no que se refere à preservação de sabores e contatos com o meio externo. Entretanto, não se pode deixar de citar uma das mais cruciais invenções de todos os tempos envolvendo o papel e aparentemente uma das mais simples: o saco de papel. Em 1852 em Betlehem, na Pensilvânia, foi desenvolvida uma rudimentar máquina de fazer sacos de papel. Mais tarde, em 1860 uma máquina mais eficiente e prática foi utilizada na Filadélfia. Mas o que mais incentivou o uso do saco de papel foi a inviabilidade dos sacos de algodão usados pelos militares durante a guerra civil. A tecnologia avançou e não tardou para que os EUA exportassem sacos de papel e todo o seu maquinário. Historicamente, os sacos de papel precederam a popularização das embalagens. Basicamente de 1880 até 1940 não houve mudanças significativas no campo do design, afirmam Denise Dantas e Teresa Rubio em seu trabalho Embalagem (1995). A grande virada na área foi entre 1940 e 1959, quando os EUA iniciaram um novo conceito de vendas, o self-service. Depois disso, os vendedores de mercearia foram definitivamente substituídos pelos supermercados e a grande comunicação entre produto e consumidor se dava apenas através da embalagem. Entre 1960 e 1970 houve a Segunda Revolução Industrial, ou seja, a introdução da tecnologia dos computadores na sociedade de consumo. Como resultado, foram obtidos grandes avanços no setor de armazenamento. É desse período o surgimento das etiquetas auto-adesivas - a primeira grande revolução na indústria de embalagens - que inicialmente apenas marcava o peso e o preço do produto. Na década de 60 o rótulo de papel foi substituído. As latas de alumínio, os frascos plásticos de polietileno - o pet, e os novos sistemas de abertura e fechamento como o rip top ( arrancar rasgando ), e o ring pull ( argola de puxar ), também são originários desse período. Já na década de 70, o sistema de lacre, as bebidas enlatadas, e as garrafas descartáveis foram as grandes revoluções. Atualmente, o crescimento de consumo desperta novos interesses na indústria de embalagens, como a preocupação ecológica e a criação de embalagens biodegradáveis ou recicláveis, a utilização da embalagem como veículo de mídia - no caso de crianças desaparecidas ou criminosos procurados, informações adicionais à respeito do produto como valor nutricional, calorias, etc. No Brasil, até 1945 os produtos como café torrado e moído, açúcar refinado, óleo de semente de algodão, extrato de tomate em latas, vinagre, guaraná, e cigarros eram pré-acondicionados, vendidos a peso no balcão, embrulhados em folhas de papel. O consumo de produtos importados se dava em larga escala, e a produção nacional era escassa até 1960. A partir de 1960, cresce a indústria nacional e a vinda de multinacionais que tinham seus projetos modificados para atender às necessidades do mercado brasileiro. Entre 1970 e 1980, o milagre econômico traz o grande desenvolvimento da indústria nacional, e, consequentemente, o crescimento do consumo. Houve também o crescimento das agências de propaganda e o surgimento dos cursos de desenho industrial no Brasil. Porém, com a escassez de profissionais de packaging, as agências de propaganda assumiram o papel, delegando a engenheiros da área de produção de materiais, os setores de criação de embalagem. Com o fechamento do mercado durante um longo período, e como consequência uma fraca concorrência, desenvolvimento de novos projetos foi desestimulado, gerando produtos de baixa qualidade. De 1980 a 1990 o consumidor se torna mais exigente, fazendo crescer no mercado a propaganda na televisão e o redesign como arma de venda. As agências de propaganda passam a terceirizar os serviços de design e surgem os novos escritórios de designers. Com a abertura de mercado há alguns anos, a concorrência hoje é fortíssima especialmente para um país desacostumado com o tipo de consumidor estrangeiro. Com algumas exceções, o Brasil ainda caminha lentamente para enfrentar a concorrência estrangeira de igual para igual, embora a qualidade de um modo geral tenha aumentado de forma significativa. AS FORMAS DE IMPRESSÃO Denise Dantas e Teresa Rubio citam quatro formas de impressão utilizadas atualmente, em seu trabalho Embalagem (1995): ROTOGRAVURA - Impressão feita com tintas líquidas à base de água ou solvente volátil, como xileno, álcool ou mistura de solventes (thinner) - o mais utilizado. Normalmente aplicada em editoria para revistas de alta tiragem na indústria de embalagens flexíveis. Sua forma é cilíndrica, metálica e com o grafismo em baixo relevo. FLEXOGRAFIA - Utiliza as mesmas tintas da rotogravura, porém difere na forma - que é flexível, em alto relevo, feita de borracha ou fotopolímero - e na aplicação - embalagens de papel ou plástico, sacolas e papéis de presente. TIPOGRAFIA - Impressão feita com tinta gordurosa e pastosa. Sua forma é relevo gráfica, de material rígido. Aplicada em livros, folhetos, cartões de visita, convites em geral e impressos administrativos. OFF-SET - Impressão também feita com tinta gordurosa e pastosa. Sua forma é metálica e planográfica. Por ser o sistema mais versátil, aplica-se em plásticos, metais, papelões e até pano, entre outros. SISTEMA TETRA REX DE EMBALAGEM Segundo folheto informativo da Tetra Pak (s/d), o sistema Tetra Rex está baseado numa embalagem de formato tradicional, adaptado às novas exigências requeridas pela manipulação racional dos tempos de hoje. As modernas máquinas de enchimento criam a possibilidade de aumentar a gama de produtos em diferentes volumes. As embalagens Tetra Rex são fornecidas sob a forma de unidades de cartão espalmado pré-fabricado, designadas cápsulas. A junta longitudinal encontra-se já colada. As cápsulas são colocadas no carregador da máquina de enchimento. Em seguida elas tomam forma, os fundos são colados e enchem-se automaticamente. Existem certos produtos que impõem exigências especialmente elevadas ao material de embalagem no que se diz respeito à proteção contra o oxigênio e a luz. As cápsulas são então revestidas com folha de alumínio e a junta longitudinal é sobreposta e colada. Isso dá aos produtos, como por exemplo, os sucos, uma proteção sem igual. O sistema é muito seguro, e possui uma elevada efetividade mecânica. As máquinas são construídas para o chamado serviço rotativo, ou seja, todas as unidades vitais de funcionamento são continuamente substituídas. Dessa forma, reduz-se o trabalho de assistência nas instalações de produção, tornando-se mais racional a manipulação das peças sobressalentes. A manutenção preventiva é uma garantia para um funcionamento seguro e uma excelente economia. Os fundos e os topos das embalagens são colados com o auxílio de fornos elétricos, o que proporciona um bom ambiente de trabalho em volta da máquina. O nível de ruídos torna-se baixo e a manutenção torna-se simples. A colagem com fornos elétricos constitui um método higiênico e favorável às embalagens, oferecendo um baixo consumo de energia por embalagem produzida. O princípio de enchimento consiste num sistema único, com uma rigorosa precisão de volumes. O enchimento dá-se abaixo do nível do líquido. A formação de espuma é eliminada e dessa forma o enchimento pode dar-se à baixa temperatura do produto. A exatidão do enchimento constitui um fator decisivo para a economia da máquina. As embalagens Tetra Rex nunca ficam pouco ou demasiadamente cheias. A qualidade do produto torna-se elevada quando o princípio de enchimento minimiza a mistura de ar no produto. Um pacote de cartão Tetra Rex com o fundo colado é levado até a unidade de envasamento. Ali ele é içado até o tubo de enchimento, descendo depois para que o envasamento se dê abaixo da superfície do líquido. Esta operação elimina toda a formação de espuma. As vantagens são evidentes. O envasamento dá-se com uma exatidão de aproximadamente 1 grama. Como não há formação de espuma, a parte superior da cápsula fica livre da contaminação do produto. A colagem do topo pode portanto executar-se à temperatura exata. Isso contribui para a excelente relação entre facilidade de abertura e resistência de colagem, ou seja, a embalagem torna-se totalmente hermética, e, no entanto, fácil de abrir. Após a colagem do topo, a data de fabricação é automaticamente impressa na embalagem. O sistema é flexível mesmo no que diz respeito ao formato da embalagem. Uma máquina Tetra Rex para embalagens de topos angulares pode ser munida de acessórios para embalagens de topos planos. A máquina também pode ter uma pista de embalagens de topos planos e outra pista para embalagens de topos angulares. O equipamento para topos planos está montado depois da seção de enchimento, onde dobra para baixo o topo angular e cola as duas abas do topo contra os lados da embalagem. A TOMADA DE FORMA DA EMBALAGEM