N o t í c i a s 22.12.00 Embalagem: Apenas um Vendedor Silencioso? É certo que existe a preocupação, cada vez maior, do fabricante de produtos cosméticos com a contaminação microbiana. Porém, um elo nessa cadeia de fabricação parece esquecida: estamos nos referindo ao papel da embalagem na contaminação microbiana. Estudos posteriores provaram que "se o desenho do recipiente provê a adequada proteção, mesmo produtos precariamente preservados poderão resistir ao uso pelo consumidor". Todos sabemos que a embalagem, principalmente no segmento da beleza, representa um forte apelo de marketing. Basta lembrar de algumas definições como, por exemplo, "a mais eficiente mídia permanente", "embalagem é o vendedor silencioso", "a embalagem tem funções mais complexas do que simplesmente proteger e preservar um produto. Ela tem que vender", etc. Realmente, muitas vezes ela vende o produto mas este, não podemos esquecer, é comprado para dar o benefício proposto pela fabricante e segurança em seu uso. E estas duas característica, que são fundamentais na qualidade de um produto, também são complexas. E essa complexidade não está somente subordinada à causa microbiológica: o sistema de embalagem deve proteger o cosmético sem alterar sua composição até que a última gota seja removida. Por exemplo, em embalagens plásticas, devem também ser levadas em consideração: Permeação (materiais como nylon são barreiras muito pobres e certas embalagens plásticas, alteram as fragrâncias originais da formulação, devido a perda de um dos ingredientes. Também podem ser causa de migração de óleos em emulsões A/O, etc.); Migração de ingredientes da embalagem (aditivos como estabilizantes, catalisadores, pigmentos) para o ingrediente, comprometendo a aparência do produto; Sorção, que é o fenômeno físico-químico concomitante de adsorção e absorção e que se traduz na remoção de compostos do produto pelo material de embalagem. O exemplo mais significativo é a perda do preservante dessas formulações; Reatividade química; Modificação que são alterações físicas e químicas da embalagem. Por exemplo, a deformação de recipientes de polietileno é frequentemente causado por permeação de gases e vapores do meio ambiente ou por perda de conteúdo através de suas paredes. Em outros casos, os estabilizantes, plastificantes, podem ser extraídos do recipiente, alterando sua flexibilidade causando, por exemplo, seu "murchamento". Então surge a pergunta: com toda a tecnologia que temos (quase beirando o século XXI) , será tão difícil unir beleza de design à segurança? Acredito que não!. Temos no mercado embalagens lindísimas em pump-top para loções e géis de baixa viscosidade; flip-cap, para shampoos, condicionadores. Provavelmente, estes tipos de embalagem não são tão frequentes no nosso mercado quanto gostaríamos que fosse, devido ao alto custo. Mas, aí está o desafio aos nossos engenheiros de embalagens. Publicação de Tereza F. S. Rebello: farmacêutica bioquímica. (Revista Cosmetics & Toiletries, novembro/dezembro de 2000, pág.26) Alimentos funcionais Legislação protege o consumidor e abre espaço para inovações No Brasil, o Ministério da Saúde publicou em 1999 as Resoluções 16, 17, 18, 19 e Portaria 413, que se refere à regulamentação de alimentos com alegação de propriedades funcionais e/ou de saúde em sua rotulagem, tratando desde as diretrizes básicas para a análise e comprovação dessas propriedades, até procedimentos para registro. "Atualmente, muita coisa pode ser posta no rótulo, o que antes era proibido. Agora, pode-se desenvolver um alimento que tenha em seu rótulo que ele ajuda a reduzir o risco de doenças cardíacas, por exemplo. É um avanço muito importante e o Brasil fez uma legislação que procura proteger o consumidor, a saúde pública e ao mesmo tempo estimular o desenvolvimento tecnológico e de inovações e não inibir", afirma o professor Franco Lajolo. Todos os produtos com novos ingredientes, produtos ou algum produto que tenha alegação no rótulo passam por uma comissão do Ministério da Saúde para ser registrados. A primeira coisa que se deve fazer é demonstrar que o produto é seguro. Às vezes, um produto já é naturalmente utilizado, então é seguro; mas, às vezes, mesmo de um alimento comum, extrai-se um componente, que é concentrado e colocado em outro alimento numa quantidade maior. Daí ser necessário verificar se isso não pode acarretar problemas à saúde humana. Outras vezes, o ingrediente é totalmente novo, como é o caso do substituto de gordura olestra. Além de ser um novo ingrediente, é uma nova molécula. Então, é necessário passar por uma bateria de análises para se ter certeza de que não há risco à saúde. A segunda coisa diz respeito à alegação feita: o que está escrito tem de ser demonstrado cientificamente. Há um procedimento para fazer isso, devendo-se demonstrar as evidências científicas para que aquilo que está no rótulo seja verdadeiro cientificamente. Rotulagem e registro de alimentos funcionais Com a finalidade de padronizar a forma de apresentar a informação prestada no rótulo e auxiliar os consumidores na identificação e no processo de decisão, foram estabelecidas regras para rotulagem dos alimentos. "Inicialmente, o Regulamento sobre Rotulagem Geral para Alimentos Embalados tem como objetivo principal definir e padronizar as informações mínimas necessárias que devem constar do rótulo de todos os alimentos, tais como: denominação, relação de ingredientes, conteúdo, dados sobre origem/fabricante, lote, validade e forma de preparo", explica Silvia M. Yokoyama, Engª de Alimentos da Unicamp. A regra relativa à Rotulagem Nutricional de Alimentos Embalados serve para padronizar a forma de apresentar a quantidade de nutrientes e valor energético presentes e a regra relativa à Rotulagem Nutricional Complementar, para estabelecer as condições em que as relativas ao conteúdo, adição ou ausência de nutrientes e valor energético podem ser utilizados. As condições para utilização de termos como "fonte", "alto teor", "livre de adição", "reduzido" etc. são estabelecidas por esse regulamento. Ela ressalta ainda que a diretriz da legislação brasileira está baseada no estabelecimento de condições em que a alegação pode ser feita e dos limites que devem ser observados para que o produto continue sendo ofertado como um alimento seguro para o consumo sem supervisão médica. Diferentemente, os medicamentos, que servem para tratamento, cura ou prevenção, precisam ser consumidos sob acompanhamento de um médico. (Revista Food Ingredients, nº 9, novembro/dezembro de 2000, págs.38,40 e 42) O Consumidor Poderoso Atitudes, comportamento e estilo de vida do consumidor brasileiro determinam lançamento de embalagens O consumidor é o objetivo final das indústrias e dos negócios na área de alimentos. Hoje, ocupa posição de destaque na cadeia produtiva de alimentos, devido a uma inversão de poder que ocorreu nos últimos anos. O consumidor brasileiro está se tornando cada vez mais exigente e mais consciente dos direitos que lhes são assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor, introduzido no País no início da década de 90. O consumidor tem necessidades, expectativas e valores, que as empresas estão empenhadas em conhecer , entender e satisfazer. Assim, os novos lançamentos de alimentos e embalagens são influenciados por mudanças importantes nas atitudes e no estilo de vida dos consumidores brasileiros. Ferramentas e metodologias de pesquisa que identificam suas necessidades, expectativas e valores e os consolidam em atributos do produto e da embalagem já estão sendo aplicadas sistematicamente por grandes empresas de alimentos no país e tendem a disseminar-se. A segmentação tradicional dos consumidores orientada por sexo, renda, idade e profissão está sendo questionada, principalmente em relação às exigências da embalagem. Há um movimento em direção à segmentação por atitudes, comportamento, estilo de vida e valores. Na segmentação de mercado o consumidor classificado como conservador tem as seguintes atitudes: gosta de rotina não busca desafios é orientado para marcas conhecidas não pesquisa preço seu lazer: ir ao cinema Suas frases: "não é importante estar na moda" "vencer na vida não é ter dinheiro" "sempre procuro pelas marcas que já conheço" Outro exemplo é o consumidor antenado, que tem as seguintes atitudes: não gosta da rotina valoriza a vida social e profissional experimentador de novos produtos e marcas (menos fiel) não procura o melhor seu lazer: esportes, música, leitura e Internet Sua frase: "vida profissional é prioridade". (Revista Alimentação, nº 34, outubro de 2000, págs.75 e 76) Papelão Ondulado: Europa e Estados Unidos anunciam padronização de embalagens Com o objetivo de melhor atender ao mercado varejista em toda sua cadeia de suprimentos, a FBA (Fibre Box Association) e a FEFCO (Federation of Corrugated Board Manufactures) anunciaram a criação de uma padronização de caixas de papelão ondulado. Os padrões da FBA e da FEFCO estabelecem dimensões uniformes no aspecto de empilhamento para caixas de papelão ondulado. Eles facilitam o carregamento, o manuseio, o armazenamento e o embarque de frutas frescas e vegetais para a indústria - paletes padronizados nos Estados Unidos e Europa. Algumas especificações padronizadas As embalagens devem ser empilhadas em tamanho completo (597mm x 398mm) ou meio tamanho (398mm x 298mm) O padrão FBA abrange tanto embalagens display como não-display. O padrão FEFCO especifica apenas bandejas open-top As embalagens podem ser empilhadas em cargas estáveis mistas com outras de embalagens-padrão de produtores da FBA e FEFCO, independente da origem da produção ou fabricante da embalagem As embalagens podem ser embarcadas em qualquer ponto dos Estados Unidos ou Europa sem comprometer os padrões da indústria. (Publicação do Sr. Paulo Sérgio Peres, presidente da Associação Brasileira de Papelão Ondulado –ABPO, na Revista O Papel, nº12, dezembro de 2000, pág.57) Papéis de embalagem No período 1990/1999 a produção de papéis de embalagem cresceu, em média, 4,1% ao ano. Em 1999, a produção de 110,2 milhões de toneladas representou 35% da população mundial de papéis de todos os tipos. Foi a categoria de papel que apresentou o maior crescimento de oferta. Se na África a produção desse papel manteve-se estável, na Ásia/Oceania, América Latina e América do Norte houve importantes acréscimos de produção, com taxas médias anuais de, respectivamente, 8,0% , 3,7% e 3,2%. A América do Norte concentrou, em 1999, 36% da produção mundial vindo a seguir a Ásia/Oceania com 32% e a Europa com 25%. Em 1990 essas participações eram, respectivamente, de 39%, 23% e 31%. Fonte: PPI; * Ranking por 1999. (Relato Setorial, nº 05 –2000, págs. 24, 25 e 26)